«Não adoras quando a tua vagina começa a fazer coisas estranhas?”, disse literalmente ninguém, nunca. Como se a menstruação não bastasse, agora temos a comichão, a sensação de ardor e aqueles momentos de “que cheiro é este?”.
A verdade é que as vaginas são ecossistemas delicados que dependem de um equilíbrio quase perfeito de bactérias (sim, bactérias — é totalmente normal) para se manterem saudáveis. Quando esse equilíbrio é perturbado, uma das possíveis consequências é a vaginose bacteriana (VB), uma infeção vaginal comum que pode ser ligeira e de curta duração ou levar a complicações mais graves se não for tratada. Então, como lidamos com isso? Informando-nos. Aqui está o teu guia prático sobre a VB: o que é, como a identificar e como tratá-la, assumindo o controlo do teu próprio corpo.
O que causa a vaginose bacteriana?
A vaginose bacteriana é causada por um desequilíbrio entre as bactérias «boas» e «más» na vagina. Normalmente, os lactobacilos (as bactérias boas) mantêm tudo sob controlo. Mas quando bactérias nocivas, como a Gardnerella vaginalis, tomam conta da situação, o pH vaginal altera-se e… eis que surge a vaginose bacteriana.
Embora a VB não seja, tecnicamente, uma infeção de transmissão sexual (ITS), é mais comum em pessoas sexualmente ativas, especialmente naquelas com parceiros novos ou múltiplos. Também pode ser desencadeada por:
- Relações sexuais sem proteção;
- Partilha de brinquedos sexuais;
- Duchagem;
- Fumar cigarros.
Importante: a vaginose bacteriana pode aumentar o risco de contrair IST, incluindo o VIH. Por isso, se suspeitar que tem vaginose bacteriana, consulte um médico e utilize proteção durante as relações sexuais. E não, não se pode contrair vaginose bacteriana através dos assentos sanitários ou das piscinas.
Sintomas da BV: a que se deve estar atento?
Eis a parte complicada: até 75% das pessoas com VB não apresentam quaisquer sintomas. Mas, quando os sintomas se manifestam, podem incluir:
- Corrimento vaginal fino, branco ou cinzento;
- Odor forte a peixe (especialmente após as relações sexuais);
- Comichão ou ardor vaginal;
- Dor ou desconforto ao urinar.
Estes sintomas também podem assemelhar-se aos de infeções de transmissão sexual (ITS), por isso não adivinhe: faça os exames. A realização regular de esfregaços de Papanicolau e exames de rastreio de ITS é fundamental para proteger a sua saúde reprodutiva.
Como prevenir a vaginose bacteriana?
Embora a causa exata do desequilíbrio bacteriano ainda não seja totalmente compreendida, é possível reduzir o risco adotando alguns hábitos sensatos:
- Evite fumar — o tabagismo perturba os níveis de estrogénio e aumenta o risco de vaginose bacteriana;
- Evita as duchas vaginais — a tua vagina limpa-se sozinha e as duchas vaginais alteram o teu pH;
- Use preservativos — especialmente com parceiros novos ou múltiplos;
- Limpe os brinquedos sexuais — sempre — com sabão suave ou um produto de limpeza adequado para brinquedos;
- Faça exames regularmente — a cada 6 meses, se tiver uma vida sexual ativa com vários parceiros.
Opções de tratamento da BV
Se achar que tem VB, não faça um autodiagnóstico. A VB apresenta sintomas semelhantes aos das IST, e um diagnóstico errado pode levar a complicações. Um profissional de saúde irá, normalmente, prescrever antibióticos, como o metronidazol ou a clindamicina.
Dica de especialista: Mesmo que os sintomas desapareçam a meio do tratamento, conclua o ciclo completo de antibióticos para evitar uma recidiva.
O que acontece se não se tratar a VB?
A BV pode, por vezes, resolver-se por si só, mas ignorá-la pode levar a:
- Aumento do risco de contrair o VIH e outras IST;
- Doença inflamatória pélvica (DIP);
- Parto prematuro ou baixo peso à nascença, em caso de gravidez.
Por isso, não esperes mais. A tua vagina merece melhor do que um «talvez isto passe».
A vaginose bacteriana é comum, tem tratamento e não é motivo para vergonha. Ser proativa em relação à tua saúde vaginal é empoderador. Se sentires que algo não está bem, confia nos teus instintos e fala com um médico. O teu corpo é fantástico e cabe-te a ti mantê-lo assim.
Este artigo destina-se exclusivamente a fins educativos e informativos. Não constitui aconselhamento médico, diagnóstico ou tratamento. Se apresentar sintomas de vaginose bacteriana ou tiver dúvidas sobre a sua saúde vaginal, consulte um profissional de saúde qualificado. Cada corpo é único, e a orientação profissional é essencial para um cuidado adequado.
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